Programas de Fidelidade para Clientes
Participar de um programa de fidelidade vale mesmo a pena?

Participar de um programa de fidelidade vale mesmo a pena?

Há cerca de 10 anos, o engenheiro Vicente Palazzo de Marino, de 68 anos, começou a utilizar o programa de fidelidade da Smiles, a fim de acumular milhas que pudessem ser trocadas por passagens em suas próximas viagens. Nunca mais parou.

A lógica por trás do programa é simples: vamos supor que você compre uma passagem de R$ 2.000. Se você for cadastrado no programa de fidelidade, essa compra gera 500 milhas para você. Ao atingir 2.000 milhas, você poderia trocar por uma nova passagem aérea, aproveitando promoções do programa. Ou seja, seria como se, a cada quatro passagens compradas, você ‘ganhasse’ uma gratuitamente. É claro que aqui os números são apenas para exemplificar. Mas a lógica é essa. Quanto mais você viaja com uma companhia (e suas parceiras), mais pontos acumula.

“O fato da Smiles possuir uma plataforma onde é muito fácil trocar as milhas acumuladas por novas passagens foi o que mais me cativou”, explica Marino. Por lá, também é possível utilizar as milhas acumuladas para adquirir outros benefícios, como por exemplo eletrodomésticos, ingressos para shows, entre outros.

Programa de fidelidade = trocar pontos por milhas = viagem dos sonhos 

A utilização de programas de fidelidade para troca de milhas de passagens aéreas é o uso mais conhecido do segmento. Então, desejar aquela viagem dos sonhos pode ser um ótimo motivo para começar.

Marino é certeiro em recomendar: “Vale muito a pena. É só fazer o cadastro e começar a acumular as milhas, quando você notar já vai ter pontos suficientes para a próxima passagem”, diz.

Todos os segmentos

Mas vale destacar que já há algum tempo que os programas de fidelidade não se limitam ao resgate de passagens aéreas, estadias em hotéis ou produtos e serviços de maior valor. Eletroeletrônicos, itens para casa e para uso pessoal e até serviços, como ingressos para experiências e entretenimento e seções em estabelecimentos de beleza e bem-estar, também se tornaram objetivos das trocas de pontos.

“Os programas de fidelidade já são realidade em diversos setores e vem se expandindo em novas áreas como agropecuária, construção civil, hipermercados, postos de gasolina e outros”, relata o diretor da Associação Brasileira de Empresas do Mercado de Fidelização (ABEMF), que regulamenta as empresas da área, Paulo Curro.

Fã dos programas de fidelidade, Marino também utiliza mensalmente outros programas, que permitem a troca dos pontos acumulados com as compras feitas no cartão de crédito nos mais variados produtos, como eletrodomésticos, eletroeletrônicos, lojas de presente, locadoras de veículos, entre outros.

“Muitas empresas vêm apostando nesse tipo de projeto. Praticamente todo mercado já enxerga oportunidades de crescimento com a fidelização”, explica Curro. 

Retorno rápido

Segundo dados recentes da ABEMF hoje já são mais de 150 milhões de cadastros em programas de fidelidade. E eles estão presentes em diversos momentos do dia a dia como no supermercado, posto de combustível, compras online, no uso do cartão de crédito ou na hora de viajar. E, para quebrar a crença de que para obter benefícios com pontos/milhas são necessários altos gastos e acumular por muito tempo, a maioria desses programas têm investido em opções de retorno mais imediato. 

Alguns exemplos desse tipo de iniciativa são o cashback, os descontos e os pequenos saldos. Por meio do cashback – o “dinheiro de volta” -, o participante recebe, a cada compra ou quando atinge um valor mínimo que varia em cada programa, uma porcentagem do que foi gasto, em forma de dinheiro ou bônus. A devolução, geralmente, ocorre na conta bancária do cliente, em alguma carteira digital ou é transformada em um abatimento na fatura. 

Alguns programas oferecem descontos ou preços promocionais exclusivos na aquisição de determinados produtos. Geralmente são ofertas que só os clientes fidelizados têm acesso e são muito comuns em supermercados. Além dos descontos e do cashback, a troca por produtos e serviços também pode ser mais rápida, dependendo do tipo de item escolhido. Os catálogos dos programas de fidelidade têm diversas opções para o resgate que não exigem uma grande quantidade de pontos/milhas. E podem ser feitas pela internet, direto no site ou no aplicativo do programa. Itens de alimentação, de vestuário, higiene e beleza, livros, objetos de decoração e assinaturas de revistas são alguns exemplos. 

Economia

Sabia que é possível também ter desconto nas compras rotineiras diretamente no caixa do supermercado ou farmácia? Também há programas que permitem transformar o saldo acumulado em recargas para celulares pré-pagos.

No atual cenário de crise, a iniciativa que ajuda as pessoas a economizarem é muito válida e pode ser uma diferenciação importante de determinada marca em relação à concorrência. “Os participantes podem contar com os pontos/milhas para economizar em uma próxima compra ou até mesmo receber parte do dinheiro de volta na fatura do cartão ou no aplicativo de sua loja preferida, que é o chamado cashback”, detalha Curro.

Prazos

Uma dica preciosa é não deixar de consultar os pontos/milhas nos programas de fidelidade, a fim de não perder os prazos para utilização assim como algumas ações promocionais válidas por tempo determinado.

Também é importante ficar sempre atentos às comunicações enviadas pelos programas e acessar frequentemente os sites e os apps. Muitos oferecem ainda a possibilidade de reativar milhas/pontos expirados por valores baixos. 

Mercado em alta

Os programas de fidelidade registraram altos índices de crescimento em 2020. De acordo com a Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelização (ABEMF), os brasileiros acumularam 68 bilhões de pontos/milhas no 4o trimestre de 2020, o que representa um crescimento de 23,2% na comparação com os três meses anteriores. Desses, 95% foram acumulados em compras no varejo, na indústria e no uso dos cartões de crédito; e 5% foram acumulados por meio de passagens aéreas. 

A quantidade de pontos/milhas resgatados no período também cresceu, foram 52,3 bilhões, um aumento de 26,2% na comparação com o período anterior. Desse total, 33% foram destinados a produtos do varejo e 67% foram destinados à troca por passagens aéreas. Em um cenário pré-pandemia, as passagens aéreas tinham a preferência e eram o destino de quase 80% dos pontos/milhas resgatados. Ou seja, os consumidores tiveram que se adaptar a uma nova realidade. Entre os produtos resgatados estão eletroeletrônicos, itens para casa como cafeteiras, fritadeiras e liquidificadores, ou para uso pessoal como caixas de som, fones de ouvido e cadeiras de escritório. Vale-compras de supermercado também aparecem na lista.

O faturamento das empresas associadas à entidade registrou um crescimento ainda maior, frente ao 3o trimestre: 35,4%, chegando, assim, à marca de R$ 1,5 bilhão. Quanto ao número de inscritos nos programas de fidelidade, a associação registrou 161,6 milhões de cadastros, um crescimento de 6,1% na comparação com o terceiro trimestre.

Sobre ABEMF 

A Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Fidelização nasceu em 2014 com o objetivo de debater questões institucionais e regulatórias do setor, representar os interesses de empresas e profissionais, além de fomentar ações para o fortalecimento e aperfeiçoamento contínuo do mercado brasileiro de fidelização.

Fazem parte da entidade 11 das maiores companhias do segmento no país: Dotz, Elo, GPA, Juntos Somos Mais, Latam Pass, LTM, Mastercard, Orbia, Smiles, Stix e Visa. Entre as atividades desenvolvidas pela ABEMF estão a divulgação de dados do setor, obtidos por meio de estudos e pesquisas, e a busca por incentivos que beneficiem o mercado e seus associados.

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